Nada melhor do que começar esse blog pelo começo: a descoberta da gravidez. Eu ainda não tinha decidido se queria ser mãe; pelo menos, engravidar não estava nos meus planos. Eu tinha muito medo de todo o processo: a gestação, o parto, os primeiros dias com um bebê totalmente dependente de mim...
Minha ideia era esperar: terminar o doutorado, passar em um concurso, me estabilizar no trabalho e só então decidir se entraria na fila da adoção, se engravidaria ou se simplesmente seguiria sem filhos.
Desde 2015 eu já não tomava pílula anticoncepcional e me cuidava “como dava”. Parei com a pílula com medo de trombose, já que esse era um assunto muito falado na época. Descobri que ficar sem hormônio me fazia bem: me trouxe acne, sim, mas me deixou mais espontânea e aumentou muito a minha libido. Me senti mais eu mesma, mais livre, menos robótica.
Minha menstruação parou de ser certinha e, quando acontecia — e demorava pra acontecer —, eu nem percebia. Até que um dia, estava com meu marido e um casal de amigos, e comecei a me queixar de cansaço. Comentei que tinha sentido enjoo naquele dia, e eles se olharam e disseram: “Parabéns, passa na farmácia confirmar, mas você tá grávida, viu?”.
Eu não acreditei muito, porque minha menstruação sempre atrasava. Mas, como dessa vez estava mesmo atrasada, meu marido resolveu parar na farmácia e comprou o teste.
Chegamos em casa, ele foi direto pro banho e eu fiquei com a missão. Li as instruções e, no auge dos meus 30 anos, percebi que nunca tinha feito um teste de gravidez na vida. Fiz o que tinha que fazer e não acreditei no que vi. Olhei e reolhei a cartela várias vezes, enquanto ele, do banheiro, perguntava desesperado: “E aí, o que deu?”.
Eu só respondia: “Não sei, não pode ser… tem dois risquinhos aqui!”. Ele saiu do banho apavorado: “Mas o que isso significa?”. Pegou a caixinha, leu comigo e, quando percebi, estávamos os dois com um sorriso bobo de orelha a orelha.